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A Britânia Eletrodomésticos, responsável pelas marcas Britânia e Philco, demitiu 860 funcionários da sua fábrica em Manaus neste mês. O número representa cerca de 32% da força de trabalho da unidade amazonense e 9% do total de empregados diretos da companhia, que soma aproximadamente 10 mil funcionários. Com sede em Curitiba, a Britânia também mantém fábricas em Joinville (SC) e Linhares (ES). A planta de Manaus é voltada exclusivamente à produção de produtos da marca Philco, como aparelhos de ar-condicionado, micro-ondas e televisores.
Segundo a empresa, o desligamento faz parte de um processo de reestruturação pontual, motivado pela revisão da projeção de vendas para o ano, especialmente na linha de ar-condicionado, classificada como sazonal. Em nota, a Britânia afirmou que, apesar da estabilidade nas vendas dos itens produzidos na unidade, foi necessário realizar ajustes operacionais para garantir a sustentabilidade do negócio. A empresa também informou que a decisão não afeta outras unidades do grupo. A demissão em massa surpreendeu trabalhadores e o sindicato. Para Valdemir Santana, presidente da CUT do Amazonas e do Sindicato dos Metalúrgicos do Estado, trata-se do maior corte ocorrido na Zona Franca de Manaus nos últimos três anos. Ele destacou que o polo industrial tem registrado crescimento no número de empregados, passando de 96 mil trabalhadores em 2022 para 132 mil atualmente.
Apesar da decisão, dados do mercado indicam crescimento nos segmentos de ar-condicionado e micro-ondas. Segundo a Euromonitor, o setor de ar-condicionado movimentou R$ 10,3 bilhões no ano passado, com expectativa de atingir R$ 11,1 bilhões em 2025. Em micro-ondas, a GfK aponta um aumento de 19,1% nas vendas em unidades em 2024, com faturamento estimado em R$ 1,7 bilhão. No setor de televisores, as vendas mostram estabilidade. A Euromonitor registrou um faturamento de R$ 19,2 bilhões em 2024, com previsão de crescimento de 3,8% neste ano. Em unidades, houve leve queda de 0,8% nas vendas nos cinco primeiros meses de 2025, segundo a GfK.
A Britânia não divulga balanços financeiros por ser uma empresa de capital fechado, mas estimativas da plataforma Klooks apontam que o grupo fatura entre R$ 1,5 bilhão e R$ 2 bilhões por ano. Fundada nos Estados Unidos, a Philco atua no Brasil desde 1934 e foi adquirida pela Britânia em 2007. A marca foi pioneira na produção de televisores no país e introduziu no mercado brasileiro a primeira TV com controle remoto e os primeiros modelos coloridos.
Ainda segundo a empresa, houve apoio do sindicato dos trabalhadores para firmar um acordo coletivo. Os funcionários desligados receberão, além dos direitos legais, benefícios adicionais como a manutenção do plano de saúde até o fim de agosto ou do aviso prévio, além da distribuição de cestas básicas conforme o tempo de contrato.
Exportadores brasileiros de manga anunciaram a suspensão das negociações com os Estados Unidos após o anúncio de uma tarifa de 50% sobre a fruta, prevista para entrar em vigor em agosto. A sobretaxa foi imposta pelo governo do ex-presidente Donald Trump e atinge diretamente o setor, que mantém com os americanos uma janela anual de embarques entre agosto e outubro. A interrupção nas negociações causa preocupação, principalmente no Nordeste, onde a fruticultura é uma das principais atividades econômicas. A manga é hoje a fruta in natura mais exportada pelo Brasil para os Estados Unidos, de acordo com dados da Associação Brasileira dos Produtores Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas). Em 2024, o mercado americano foi responsável por 14% do volume exportado dessa fruta pelo país. Produtores relatam um clima de insegurança, com temor de prejuízos financeiros e impactos no emprego. Como se trata de um produto perecível, a fruta precisa ser colhida no tempo certo, o que pressiona ainda mais o setor diante da indefinição sobre os destinos comerciais. Sem a opção de exportação para os EUA, parte da produção deve ser redirecionada ao mercado interno ou à Europa, o que tende a gerar uma queda significativa nos preços e afetar toda a cadeia produtiva. Segundo Luiz Roberto Barcelos, diretor institucional da Abrafrutas, o risco não se limita à perda de mercado nos Estados Unidos. A possível saturação do mercado interno e a concorrência com exportadores que atuam em outras regiões pode ampliar os efeitos da crise. A entidade confirma que recebeu relatos de paralisação nas operações de embarque. Paulo Dantas, diretor da Agrodan, empresa que atua com exportação de manga em Pernambuco e na Bahia, alerta para o risco de falências no setor. Apesar de a janela oficial de embarques ainda não ter sido aberta, o cenário atual já provoca o que ele descreve como um “clima de desespero”. A situação é monitorada com expectativa por produtores e entidades do setor, que aguardam uma solução diplomática entre os governos do Brasil e dos Estados Unidos. Em nota, a Abrafrutas defendeu a manutenção do comércio com os americanos e afirmou que segue apoiando iniciativas de diálogo para tentar reverter a medida. Segundo a associação, a relação comercial entre os dois países é benéfica para ambos os lados e essencial para o abastecimento de frutas no varejo dos EUA.
A partir desta terça-feira (15), cerca de 3,8 milhões de trabalhadores com carteira assinada que ganham até dois salários mínimos e nasceram nos meses de setembro e outubro poderão sacar o abono salarial referente ao ano-base 2023. O benefício faz parte do Programa de Integração Social (PIS), para trabalhadores da iniciativa privada, e do Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep), destinado a servidores públicos, empregados de estatais e militares. Neste mês, a Caixa Econômica Federal liberará pouco mais de R$ 4,4 bilhões para pagamento do abono. O calendário foi aprovado no final do ano passado e segue a lógica do mês de nascimento dos beneficiários. As liberações começaram em fevereiro e vão até agosto, com saques podendo ser realizados até 29 de dezembro de 2025. Após essa data, será necessário aguardar uma convocação especial do Ministério do Trabalho para sacar valores não retirados.
Ao todo, o abono salarial de 2025 deve pagar R$ 30,7 bilhões a 25,8 milhões de trabalhadores em todo o Brasil. Desse total, cerca de 22 milhões trabalham na iniciativa privada e recebem o PIS pela Caixa, enquanto aproximadamente 3,8 milhões são servidores públicos, empregados de estatais e militares que recebem o Pasep pelo Banco do Brasil. Os trabalhadores podem consultar a situação do benefício pelo aplicativo Carteira de Trabalho Digital ou pelo Portal Gov.br, onde também está disponível a opção de saque. O pagamento será feito em seis lotes, organizados pelo mês de nascimento, para facilitar o acesso e evitar aglomerações nas agências.
A Procuradoria-Geral da República entregou ao Supremo Tribunal Federal as alegações finais da ação que investiga a tentativa de golpe de Estado em 2022. O pedido formal de condenação atinge o ex-presidente Jair Bolsonaro e sete outros integrantes do que a PGR chamou de “núcleo central” da trama. O documento foi assinado pelo procurador-geral Paulo Gonet e protocolado minutos antes do fim do prazo, às 23h59 de segunda-feira. No texto, Gonet afirma que todos os denunciados atuaram em conjunto, sob a liderança e coordenação de Bolsonaro, formando uma organização criminosa armada com o objetivo de deslegitimar o sistema eleitoral, atacar o Supremo e instaurar medidas excepcionais. Entre os crimes apontados estão tentativa de golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, organização criminosa armada, dano qualificado ao patrimônio público e deterioração de bens tombados. A PGR sustenta que as provas mostram clara intenção e participação coordenada em cada fase do plano.
O documento ainda nem cita algumas delações, como a de Mauro Cid. Gonet destaca inconsistências na colaboração premiada do ex-ajudante de ordens de Bolsonaro e pede redução de apenas um terço da pena, rejeitando perdão judicial ou penas alternativas. Segundo o procurador, Cid apresentou omissões e mantinha padrão narrativo ambíguo, o que impõe limitação ao benefício da colaboração. Com o envio das alegações finais, abre-se agora prazo de 15 dias para os réus apresentarem suas defesas por escrito. Mauro Cid terá prazo semelhante, após o que os demais réus — entre eles Alexandre Ramagem, Almir Garnier, Anderson Torres, Augusto Heleno, Paulo Sérgio Nogueira e Braga Netto — também poderão se manifestar.
O relator, ministro Alexandre de Moraes, irá analisar as peças antes de encaminhar o caso à Primeira Turma do STF, que deve agendar o julgamento para o início de setembro. A expectativa é alta, já que os acusados respondem por crimes com penas que, somadas, podem ultrapassar 40 anos de prisão.
Aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) que sofreram descontos indevidos já podem aderir ao acordo de ressarcimento proposto pelo governo federal. Os atendimentos foram iniciados na última sexta-feira (11) e seguem até o dia 14 de novembro. Na Bahia, 397 agências próprias dos Correios estão habilitadas para prestar o atendimento, incluindo 15 unidades localizadas em Salvador.
De acordo com o G1, mais de 150 mil atendimentos já foram realizados no estado desde as fases anteriores do processo: análise dos descontos e resposta das entidades associativas. Durante o atendimento, os beneficiários poderão acessar a chamada “memória de cálculo”, onde constam os valores passíveis de devolução. Se concordarem com os valores apresentados, o pagamento será feito automaticamente em até 30 dias, na conta bancária cadastrada, sem necessidade de apresentar documentos ou retornar à agência.
O acordo é direcionado a quem contestou descontos e não recebeu resposta das entidades. Dados do INSS apontam que 3,8 milhões de contestações foram registradas no país, das quais cerca de 3 milhões ficaram sem retorno das associações. A devolução será realizada em parcela única, com atualização monetária com base no IPCA, calculada desde a data de cada desconto até a inclusão na folha de pagamento. O pagamento seguirá a ordem de adesão: quanto mais cedo o beneficiário aderir, mais rapidamente receberá.
A proposta de ressarcimento é fruto de um pacto de conciliação firmado entre o Ministério da Previdência Social, INSS, Advocacia-Geral da União (AGU), Defensoria Pública da União (DPU), Ministério Público Federal (MPF) e Conselho Federal da OAB.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, em entrevistas concedidas na última quinta-feira (10), que o Brasil exigirá respeito nas relações internacionais e que não aceitará interferências externas que afetem sua soberania. A declaração foi dada após o anúncio de uma nova tarifa de 50% sobre produtos brasileiros importados pelos Estados Unidos, medida comunicada formalmente pelo presidente Donald Trump por meio de carta enviada a Lula na quarta-feira (9). A resposta do presidente brasileiro foi divulgada durante entrevistas ao Jornal da Record e ao Jornal Nacional, da TV Globo, em que Lula enfatizou que há limites para a atuação de governos estrangeiros e que o Brasil pretende reagir com firmeza, mas dentro dos canais diplomáticos. Segundo ele, o país buscará negociar antes de recorrer a medidas de retaliação.
"Vamos tentar fazer todo o processo de negociação. O Brasil gosta de negociar, não gosta de contencioso. E depois que se esgotarem as negociações, o Brasil vai aplicar a reciprocidade", afirmou o presidente. Lula ressaltou que sua gestão aposta no diálogo como instrumento para resolver impasses e que o Brasil não tem histórico de confrontos comerciais. Ainda assim, destacou que o país deve ser respeitado e que este é o momento de reafirmar sua posição no cenário internacional. A decisão dos Estados Unidos, que prevê o início da cobrança da nova taxa a partir de 1º de agosto, é vista como uma escalada no já tenso cenário comercial entre os dois países, iniciado ainda no começo do novo mandato de Trump, com uma primeira tarifa de 10% sobre produtos brasileiros. Desde então, o Itamaraty e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) vêm mantendo diálogo com representantes norte-americanos na tentativa de reverter a medida.
Como parte da estratégia de resposta, o governo brasileiro pretende formar uma comissão de negociação envolvendo representantes do setor empresarial e do Governo Federal. O grupo terá como objetivo principal repensar a política comercial com os Estados Unidos, além de conduzir as negociações para evitar prejuízos às exportações brasileiras. O presidente reiterou que a relação entre Estados soberanos deve ser pautada pelo respeito mútuo e pela cooperação econômica, e não por medidas unilaterais. Segundo o governo, a atuação será coordenada entre as áreas diplomática, política e econômica, e buscará preservar os interesses do Brasil sem romper o canal de diálogo com os Estados Unidos.
A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (10) a operação “Só Oficial” para combater uma fraude virtual que simulava o site oficial do Governo Federal com o objetivo de enganar candidatos ao Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) 2024. O esquema resultou em prejuízos financeiros estimados em R$ 3 milhões e na eliminação de diversos estudantes que acreditavam estar regularmente inscritos no exame. Dois mandados de busca e apreensão foram cumpridos em Praia Grande, no litoral de São Paulo. Além disso, a Justiça determinou o bloqueio de R$ 3 milhões das contas de uma empresa privada suspeita de envolvimento no esquema.
Durante o período de inscrições do Enem, entre 27 de maio e 14 de junho de 2024, os investigados criaram páginas falsas na internet que imitavam o ambiente oficial do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira). Nessas páginas, os usuários eram induzidos a pagar taxas de inscrição via Pix, acreditando estarem realizando o procedimento de forma legítima. De acordo com a PF, os valores eram direcionados para a conta bancária de uma fintech em nome de uma empresa que não possuía autorização para operar pagamentos do exame. A empresa já é alvo de múltiplas reclamações por práticas semelhantes, envolvendo cobranças indevidas sem entrega de serviços.
Um dos investigados possui ao menos 15 registros criminais relacionados ao crime de estelionato. A fraude não causou apenas prejuízo financeiro: os candidatos que não efetivaram a inscrição no sistema oficial foram automaticamente eliminados do Enem 2024 e não puderam realizar a prova. As investigações continuam para identificar todos os envolvidos, quantificar a extensão total dos danos e responsabilizar os autores pela prática de fraude eletrônica com uso de meios virtuais, em continuidade delitiva.
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) reagiu à decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor uma tarifa de 50% sobre todas as exportações brasileiras com uma publicação em que evita comentar diretamente os impactos da medida e volta a afirmar que é alvo de perseguição por parte da Justiça brasileira. A manifestação foi feita nesta quarta-feira (9), logo após o anúncio oficial da Casa Branca. Na publicação, feita em sua conta na rede social X, Bolsonaro compartilhou um print de uma reportagem que destaca seu nome em uma pesquisa eleitoral e afirmou que é perseguido por continuar vivo na consciência popular. Segundo ele, sua popularidade o torna o nome mais lembrado e temido do cenário político, o que explicaria, em sua visão, o julgamento em curso no Supremo Tribunal Federal.
Apesar do forte impacto econômico da nova tarifa anunciada por Trump, que deve afetar diretamente diversos setores da economia nacional a partir de 1º de agosto, Bolsonaro não comentou os prejuízos que a medida pode causar ao país. A reportagem procurou o ex-presidente para comentar o posicionamento do governo norte-americano, mas não houve retorno. Donald Trump justificou a sanção comercial alegando que o Brasil estaria promovendo ataques contra a liberdade de expressão e perseguindo politicamente o ex-presidente brasileiro. O norte-americano criticou duramente o Supremo Tribunal Federal, a quem acusa de emitir ordens de censura contra plataformas de mídia social dos Estados Unidos. Ele classificou o julgamento de Jair Bolsonaro como uma “vergonha internacional” e uma “caça às bruxas”.
Enquanto isso, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente, também se manifestou nas redes sociais. Em sua postagem, atribuiu a decisão do governo norte-americano ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e afirmou que a medida colocará em risco a competitividade das empresas brasileiras, o que poderia gerar desemprego em massa no país. Ele disse ainda que Lula não tem mais condições de governar o Brasil. Jair Bolsonaro está inelegível ao menos até 2030 por decisão do Tribunal Superior Eleitoral, que o condenou por ataques ao sistema eleitoral. Além disso, é réu no STF por supostamente liderar uma tentativa de golpe de Estado após ser derrotado nas eleições de 2022. A acusação envolve crimes como organização criminosa, abolição violenta do Estado democrático de Direito, tentativa de golpe de Estado e dano ao patrimônio público.
Durante o mandato presidencial, Bolsonaro acumulou discursos de cunho golpista, promoveu ataques ao Judiciário, levantou dúvidas infundadas sobre a lisura das eleições e estimulou atos que resultaram nas invasões de 8 de janeiro. Após a derrota, manteve viva a esperança entre seus apoiadores de que ainda poderia se manter no poder, articulando reuniões com militares e aliados próximos para debater formas de interferência nos resultados eleitorais.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reagiu nesta quarta-feira (9) à decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor uma sobretaxa de 50% sobre produtos importados do Brasil. Em nota oficial publicada nas redes sociais, Lula classificou a medida como injustificável e anunciou que o Brasil responderá com base na lei de reciprocidade. De acordo com o presidente, os argumentos utilizados por Trump para justificar a medida — entre eles, um suposto déficit comercial com o Brasil — não têm fundamento. “É falsa a informação, no caso da relação comercial entre Brasil e Estados Unidos, sobre o alegado déficit norte-americano. As estatísticas do próprio governo dos Estados Unidos comprovam um superávit desse país no comércio de bens e serviços com o Brasil da ordem de 410 bilhões de dólares ao longo dos últimos 15 anos”, escreveu Lula na plataforma X (antigo Twitter).
A decisão dos Estados Unidos foi oficializada em uma carta nominalmente endereçada ao presidente Lula e mencionou diretamente o tratamento dado ao ex-presidente Jair Bolsonaro. O documento também fez críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF) e à condução de processos judiciais relacionados aos atos de 2022. Na resposta brasileira, o governo federal reafirmou a independência das instituições nacionais e rejeitou qualquer tipo de tutela externa. “O Brasil é um país soberano com instituições independentes que não aceitará ser tutelado por ninguém”, diz a nota. Lula ainda destacou que o processo judicial envolvendo os responsáveis pela tentativa de golpe de Estado é de competência exclusiva da Justiça brasileira.
A carta enviada por Trump menciona, ainda, supostas ordens "secretas e ilegais" contra plataformas de mídia nos Estados Unidos, fazendo referência a ações judiciais no Brasil e apontando o que chamou de violações à liberdade de expressão. Mais cedo, o presidente norte-americano havia dito publicamente que o Brasil "não tem sido bom" com os Estados Unidos, antecipando a retaliação comercial. O anúncio causou reação imediata em Brasília. O presidente Lula convocou uma reunião emergencial com os ministros Fernando Haddad (Fazenda), Mauro Vieira (Relações Exteriores) e Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais), além do vice-presidente Geraldo Alckmin. O encontro teve como objetivo coordenar a resposta diplomática e comercial à decisão dos Estados Unidos.
Nos bastidores, integrantes do governo interpretam a medida como uma tentativa de ingerência direta nos assuntos internos do Brasil, com o objetivo político de fortalecer Jair Bolsonaro e sua base de apoiadores. A avaliação é de que os prejuízos econômicos causados pela tarifa precisam ser diretamente associados à atuação da oposição. A nova taxa de 50% sobre produtos brasileiros entra em vigor a partir de 1º de agosto. A expectativa é que setores da indústria nacional, especialmente o agro e a metalurgia, sejam os mais impactados. A resposta brasileira, segundo o governo, deverá seguir princípios legais e diplomáticos, mas com firmeza para preservar a soberania nacional e o equilíbrio nas relações comerciais internacionais.
Um homem foi morto com um golpe de faca no pescoço após uma briga em frente a uma sorveteria na região central de Anápolis, em Goiás. O crime aconteceu na noite de domingo (6) e foi registrado por câmeras de segurança do estabelecimento, que flagraram o momento da discussão e o desfecho trágico. Nas imagens, é possível ver os dois envolvidos em confronto direto. Ambos seguram uma cadeira e trocam ameaças em plena via pública. Em determinado momento, um dos homens parte na direção do outro, intensificando o conflito. Uma mulher tenta intervir para conter a tensão, mas não consegue evitar a violência.
A vítima foi atingida com uma facada na região do pescoço e não resistiu ao ferimento. A polícia foi acionada, isolou a área e iniciou os procedimentos de apuração. Ainda não há informações confirmadas sobre o paradeiro do autor do golpe fatal, nem sobre o que motivou a briga entre os dois homens. O caso está sendo investigado pelas autoridades locais, que devem utilizar as imagens das câmeras de segurança como prova para identificar responsabilidades e esclarecer as circunstâncias do homicídio.
Os primeiros casos da nova variante da Covid-19, denominada XFG, foram registrados no Brasil na última sexta-feira (4). A notificação foi feita por autoridades de saúde do Ceará, onde os diagnósticos ocorreram entre os dias 25 e 31 de maio. Com a confirmação, o Brasil passa a integrar a lista de 39 países com registros da variante, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). De acordo com informações do Ministério da Saúde, divulgadas pela Folha de S. Paulo, foram identificados seis casos no Ceará e outros dois em São Paulo. Até o momento, não há registros de mortes associadas à nova cepa no país. A XFG já era monitorada por autoridades sanitárias internacionais devido ao seu crescimento expressivo em outras regiões do mundo. No Sudeste Asiático, a variante se tornou predominante, especialmente na Índia, onde a proporção de casos atribuídos à cepa saltou de 17,3% para 68,7% durante a primavera. Nas Américas, a taxa de ocorrência da variante passou de 7,8% para 26,5%. No Brasil, os sequenciamentos genômicos realizados por instituições de pesquisa seguem sendo monitorados de forma contínua. A Vigilância Epidemiológica acompanha os dados para avaliar o impacto da nova cepa e garantir respostas rápidas, caso haja aumento expressivo no número de casos ou alterações no padrão de transmissibilidade.
Embora os casos identificados até agora não tenham resultado em óbitos, autoridades em saúde reforçam a importância da manutenção da vacinação em dia e da adoção de medidas preventivas, especialmente em ambientes com grande circulação de pessoas. A OMS segue atualizando a classificação das variantes à medida que surgem evidências sobre o comportamento clínico e epidemiológico de cada uma delas. No caso da XFG, embora ainda não tenha sido classificada como variante de preocupação, sua disseminação global acende um alerta para os sistemas de saúde pública.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) alcançou seu maior índice de aprovação em 2025, segundo pesquisa divulgada nesta terça-feira (8) pelo instituto AtlasIntel, em parceria com a Bloomberg e publicada pela Latam Pulse. O levantamento mostra que 47,3% dos brasileiros aprovam o desempenho do presidente, contra 45,4% registrados em maio. A pesquisa, que tem margem de erro de dois pontos percentuais, aponta uma leve oscilação positiva no índice de aprovação. Ao mesmo tempo, a reprovação ao presidente também subiu: de 51,8% para 53,7%, mantendo o cenário de polarização.
A avaliação do governo federal apresentou discreta melhora. A proporção dos que classificam a gestão como ruim ou péssima caiu de 52,1% para 51,2%. Já a avaliação positiva (ótimo ou bom) manteve-se praticamente estável, passando de 41,9% para 41,6%. A pesquisa também sondou o cenário eleitoral para 2026. Em uma simulação com os mesmos candidatos de 2022, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) aparece com 46% das intenções de voto, seguido de perto por Lula, com 44,4% — configurando empate técnico dentro da margem de erro.
No cenário em que Bolsonaro não participa da disputa, Lula lidera com 44,6% das intenções de voto, seguido por Tarcísio de Freitas (Republicanos), com 34%. Outros nomes testados, como Pablo Marçal (PRTB), Romeu Zema (Novo), Ratinho Júnior (PSD), Ronaldo Caiado (União) e Eduardo Leite (PSD), não ultrapassam os 5% individualmente. Caso nem Bolsonaro nem Tarcísio disputem, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) surge como principal nome da oposição, com 30,4%. Ainda assim, Lula aparece na frente, com 45%.
O levantamento foi realizado entre os dias 27 e 30 de junho, com 2.621 entrevistas em todo o país e margem de erro de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.