A Procuradoria-Geral da República (PGR) apresentou nesta terça-feira (18) uma denúncia contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outras 33 pessoas, incluindo militares e ex-ministros, por crimes relacionados a uma suposta tentativa de golpe de Estado. A acusação foi enviada ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo procurador-geral Paulo Gonet e inclui crimes como organização criminosa armada, tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito, dano qualificado por violência e deterioração de patrimônio público tombado. De acordo com a PGR, Bolsonaro teria liderado um grupo que buscava impedir a posse do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva após as eleições de 2022. A denúncia detalha ações que teriam começado em 2021, incluindo ataques ao sistema eleitoral eletrônico e tentativas de cooptação de militares para viabilizar uma intervenção. Entre os episódios citados está a reunião com embaixadores em que Bolsonaro questionou, sem provas, a segurança das urnas eletrônicas. O documento também aponta o envolvimento do general Walter Braga Netto, ex-ministro e vice na chapa presidencial de 2022, e do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro. Segundo a PGR, Mauro Cid teria desempenhado um papel central na articulação do grupo, enquanto Braga Netto estaria entre os responsáveis pela estratégia golpista. A denúncia será analisada pela Primeira Turma do STF, presidida pelo ministro Cristiano Zanin. Caso seja aceita, Bolsonaro se tornará réu no processo. A expectativa é que o julgamento ocorra ainda neste ano. Se condenado pelas acusações, o ex-presidente pode enfrentar até 30 anos de prisão. A defesa de Bolsonaro nega as acusações e afirma que não há provas concretas que sustentem a denúncia. O caso marca um novo capítulo na trajetória judicial do ex-presidente, que já foi declarado inelegível até 2030 pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) devido a ataques ao sistema eleitoral.
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