Na tarde deste domingo (6), cerca de 45 mil apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) se reuniram na Avenida Paulista, em São Paulo, para um ato em defesa da anistia aos envolvidos nos ataques antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023, quando as sedes dos Três Poderes foram invadidas e depredadas em Brasília. O evento foi convocado pelo próprio Bolsonaro e teve como principal pauta o apoio ao projeto de lei que tramita na Câmara dos Deputados para conceder perdão aos condenados pelos atos. Durante seu discurso, Bolsonaro criticou as investigações conduzidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e defendeu Débora Rodrigues Santos, cabeleireira que ficou conhecida por pichar a estátua "A Justiça", em frente ao STF, com a frase "Perdeu, mané". Débora foi presa preventivamente sob acusações que incluem associação criminosa armada e tentativa de golpe de Estado, mas atualmente cumpre prisão domiciliar. O ex-presidente afirmou que sua ausência no Brasil no dia dos ataques foi decisiva para evitar sua prisão. “Algo me avisou. Se eu estivesse no Brasil, teria sido preso e estaria apodrecendo até hoje ou até assassinado”, declarou Bolsonaro, que estava nos Estados Unidos desde dezembro de 2022. Além disso, ele mencionou seu filho Eduardo Bolsonaro, que se licenciou do mandato como deputado federal e se mudou para os EUA alegando perseguição política. Segundo Jair Bolsonaro, Eduardo mantém contato com figuras influentes no exterior e há esperança de que "algo venha de fora" para mudar o cenário político brasileiro. O ato contou com a presença de governadores aliados como Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) e Romeu Zema (Novo-MG), além de parlamentares bolsonaristas. A manifestação também reforçou críticas ao STF e ao governo federal, enquanto os manifestantes exibiam cartazes pedindo liberdade para os presos políticos e justiça para os envolvidos nos atos. O projeto de anistia defendido no evento enfrenta resistência no Congresso Nacional e ainda não tem previsão para ser votado. Segundo especialistas, o texto pode beneficiar não apenas os participantes dos atos antidemocráticos, mas também figuras ligadas ao financiamento e organização das manifestações.
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