Deputado Glauber Braga inicia greve de fome e dorme no plenário após Conselho de Ética recomendar sua cassação
BRASIL 10/Abr/2025 - 09h54
Foto: Jornal Nacional/ Reprodução

Deputado Glauber Braga inicia greve de fome e dorme no plenário após Conselho de Ética recomendar sua cassação

O deputado federal Glauber Braga (PSOL-RJ) passou a madrugada desta quinta-feira (10) dormindo no chão do plenário de uma comissão da Câmara dos Deputados. A decisão ocorreu após o Conselho de Ética da Casa aprovar, por 13 votos a 5, o parecer que recomenda a cassação de seu mandato por quebra de decoro parlamentar. O processo contra Braga foi instaurado devido a um incidente em abril de 2024, quando o deputado expulsou, com empurrões e chutes, um integrante do Movimento Brasil Livre (MBL) que, segundo relatos, teria proferido ofensas à sua mãe falecida, a ex-prefeita de Nova Friburgo, Saudade Braga.
Em protesto à decisão do Conselho de Ética, Glauber anunciou que iniciaria uma greve de fome e permaneceria na Câmara até que o processo fosse concluído pelo plenário. Sua esposa, a deputada Sâmia Bomfim (PSOL-SP), acompanhou-o até por volta das 23h, mas precisou se ausentar para cuidar do filho do casal. A atitude de Braga surpreendeu colegas de bancada e familiares, que não foram previamente informados sobre sua decisão. Durante a sessão do Conselho de Ética, houve momentos de tensão e bate-boca. Braga acusou o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), de articular contra ele, chamando-o de "bandido". O deputado também entrou em confronto verbal com o relator do caso, Paulo Magalhães (PSD-BA), e com o presidente do Conselho, Leur Lomanto Júnior.
Parlamentares de esquerda criticaram o processo, alegando influência de Arthur Lira no avanço da cassação de Braga. A deputada Sâmia Bomfim classificou as tentativas de acordo como uma "cortina de fumaça" em um jogo com "cartas já marcadas". O processo segue em trâmite, com possibilidade de recurso à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Caso o recurso seja rejeitado, a decisão final caberá ao plenário da Câmara, onde são necessários ao menos 257 votos favoráveis para a cassação do mandato. 

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