O ex-diretor de Operações da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Djairlon Henrique Moura, confirmou nesta terça-feira (27) ao Supremo Tribunal Federal (STF) que a corporação realizou blitze em rodovias da Região Nordeste durante o segundo turno das eleições presidenciais de 2022. O depoimento foi prestado como testemunha de defesa de Anderson Torres, ex-ministro da Justiça e ex-secretário de Segurança Pública do Distrito Federal, na ação penal que investiga uma tentativa de golpe de Estado no período final do governo Bolsonaro. Moura admitiu que, no domingo da votação, foram intensificadas as fiscalizações de ônibus que transportavam eleitores, especialmente no Nordeste. No entanto, ele negou que a operação tivesse qualquer conotação política. Segundo o ex-diretor, a PRF entendeu que poderia manter as ações desde que fossem relacionadas a infrações ao Código de Trânsito Brasileiro.
A declaração foi dada durante questionamento do relator do caso, ministro Alexandre de Moraes. O magistrado lembrou que, na noite anterior à votação, quando ainda presidia o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), havia determinado a suspensão das fiscalizações devido a suspeitas de interferência política da PRF em favor do então presidente e candidato à reeleição Jair Bolsonaro. A decisão veio após denúncias de retenções de ônibus com eleitores do candidato Luiz Inácio Lula da Silva, especialmente em áreas onde ele possuía maior vantagem. Apesar da determinação, as blitze seguiram, o que gerou forte repercussão à época e acentuou a crise institucional entre o Executivo e o Judiciário. A operação da PRF foi alvo de diversas ações no TSE e gerou pedidos de investigação.
Durante o depoimento, Moura afirmou que o foco da atuação da PRF era o cumprimento da legislação de trânsito e não havia qualquer orientação para prejudicar o transporte de eleitores. A versão, contudo, diverge de relatos de motoristas e eleitores que denunciaram atrasos e retenções em diversas cidades nordestinas. A ação penal em curso no STF apura o envolvimento de autoridades públicas em uma suposta tentativa de subverter o resultado eleitoral de 2022 e desestabilizar a ordem democrática no país.
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