STF aponta tentativa de Eduardo Bolsonaro de obstruir investigação contra Jair Bolsonaro
JUSTIçA 10/Jul/2025 - 10h50
Foto: Divulgação

STF aponta tentativa de Eduardo Bolsonaro de obstruir investigação contra Jair Bolsonaro

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou que o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) continua tentando interferir no andamento do processo que investiga a tentativa de golpe de Estado em 2022, do qual o ex-presidente Jair Bolsonaro é réu. A declaração do ministro foi feita com base em publicações recentes feitas pelo parlamentar nas redes sociais, especialmente um vídeo publicado em 29 de junho, que foi anexado ao inquérito em andamento. Segundo Moraes, as manifestações de Eduardo têm o objetivo de comprometer o andamento da ação penal 2.668/DF, atualmente em fase de apresentação de alegações finais pelas partes envolvidas. O caso envolve o núcleo central da denúncia formulada pela Procuradoria-Geral da República, que acusa Jair Bolsonaro e outros sete investigados por atos que teriam ameaçado o Estado democrático de Direito.
Com base nas novas manifestações públicas, Alexandre de Moraes prorrogou por mais 60 dias o inquérito contra Eduardo Bolsonaro, a pedido da Polícia Federal. A corporação alegou necessidade de aprofundar as investigações sobre os possíveis crimes de coação no curso do processo, obstrução de investigação e tentativa de abolição violenta do Estado democrático de Direito. Moraes acatou o pedido, afirmando que ainda existem diligências pendentes. Na publicação anexada ao inquérito, Eduardo Bolsonaro defende a aplicação de sanções ao ministro do STF e compartilha um vídeo do ato político convocado por Jair Bolsonaro na Avenida Paulista, em São Paulo. Em inglês, o deputado escreveu que “a única maneira do Brasil se alinhar com o Ocidente é por meio de Jair Bolsonaro — por meio da sanção de Moraes”.
As declarações vêm sendo interpretadas como tentativas de desacreditar o Judiciário brasileiro no exterior. A embaixada dos Estados Unidos no Brasil chegou a se manifestar, nesta quarta-feira (10), afirmando que Jair Bolsonaro e sua família são considerados parceiros dos EUA e citando um suposto cenário de perseguição política. A fala gerou reação do governo brasileiro, que convocou o encarregado de negócios da embaixada americana em Brasília, Gabriel Escobar, para prestar esclarecimentos ao Itamaraty. A relação entre autoridades brasileiras e representantes do governo dos Estados Unidos tem se mostrado tensa nos últimos dias, especialmente após o presidente norte-americano Donald Trump anunciar a aplicação de tarifas de 50% sobre todas as exportações brasileiras a partir de agosto. As motivações alegadas por Trump envolvem críticas ao tratamento dado pelo Brasil a Jair Bolsonaro e a decisões do STF contra seus apoiadores que vivem em solo americano.

Comentários

Nenhum comentário, seja o primeiro a enviar.

Deixe seu comentário

0/1000 caracteres
Seu comentário passará por moderação antes de ser publicado.

Usamos cookies para melhorar sua experiência. Ao continuar navegando, você concorda com nossa Política de Privacidade.