Bolsonaro ignora tarifas de Trump e volta a falar em perseguição política
BRASIL 10/Jul/2025 - 11h00
Foto: Pedro França/Agência Senado/Arquivo

Bolsonaro ignora tarifas de Trump e volta a falar em perseguição política

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) reagiu à decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor uma tarifa de 50% sobre todas as exportações brasileiras com uma publicação em que evita comentar diretamente os impactos da medida e volta a afirmar que é alvo de perseguição por parte da Justiça brasileira. A manifestação foi feita nesta quarta-feira (9), logo após o anúncio oficial da Casa Branca. Na publicação, feita em sua conta na rede social X, Bolsonaro compartilhou um print de uma reportagem que destaca seu nome em uma pesquisa eleitoral e afirmou que é perseguido por continuar vivo na consciência popular. Segundo ele, sua popularidade o torna o nome mais lembrado e temido do cenário político, o que explicaria, em sua visão, o julgamento em curso no Supremo Tribunal Federal.
Apesar do forte impacto econômico da nova tarifa anunciada por Trump, que deve afetar diretamente diversos setores da economia nacional a partir de 1º de agosto, Bolsonaro não comentou os prejuízos que a medida pode causar ao país. A reportagem procurou o ex-presidente para comentar o posicionamento do governo norte-americano, mas não houve retorno. Donald Trump justificou a sanção comercial alegando que o Brasil estaria promovendo ataques contra a liberdade de expressão e perseguindo politicamente o ex-presidente brasileiro. O norte-americano criticou duramente o Supremo Tribunal Federal, a quem acusa de emitir ordens de censura contra plataformas de mídia social dos Estados Unidos. Ele classificou o julgamento de Jair Bolsonaro como uma “vergonha internacional” e uma “caça às bruxas”.
Enquanto isso, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente, também se manifestou nas redes sociais. Em sua postagem, atribuiu a decisão do governo norte-americano ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e afirmou que a medida colocará em risco a competitividade das empresas brasileiras, o que poderia gerar desemprego em massa no país. Ele disse ainda que Lula não tem mais condições de governar o Brasil. Jair Bolsonaro está inelegível ao menos até 2030 por decisão do Tribunal Superior Eleitoral, que o condenou por ataques ao sistema eleitoral. Além disso, é réu no STF por supostamente liderar uma tentativa de golpe de Estado após ser derrotado nas eleições de 2022. A acusação envolve crimes como organização criminosa, abolição violenta do Estado democrático de Direito, tentativa de golpe de Estado e dano ao patrimônio público.
Durante o mandato presidencial, Bolsonaro acumulou discursos de cunho golpista, promoveu ataques ao Judiciário, levantou dúvidas infundadas sobre a lisura das eleições e estimulou atos que resultaram nas invasões de 8 de janeiro. Após a derrota, manteve viva a esperança entre seus apoiadores de que ainda poderia se manter no poder, articulando reuniões com militares e aliados próximos para debater formas de interferência nos resultados eleitorais.

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