Coronel ou Rui? Disputa por vaga ao Senado agita bastidores da base aliada na Bahia
POLíTICA 10/Jul/2025 - 11h45
Foto: Blog Regional/Composição

Coronel ou Rui? Disputa por vaga ao Senado agita bastidores da base aliada na Bahia

O senador Jaques Wagner (PT) reafirmou sua influência dentro do Partido dos Trabalhadores na Bahia ao articular diretamente a eleição de Tássio Brito para a presidência estadual da legenda, em pleito realizado no início desta semana. Tássio, ligado ao MST, foi escolhido apesar das ressalvas internas ao seu histórico de militância, considerado por alguns como um entrave para negociações políticas mais amplas. Ainda assim, sua eleição marca a continuidade da linha wagnerista no comando da sigla. A vitória de Tássio não é apenas simbólica: representa a manutenção de Wagner no centro das decisões políticas da legenda na Bahia, especialmente no que diz respeito à sucessão estadual de 2026. Assim como fez em 2022, quando ajudou a consolidar a candidatura de Jerônimo Rodrigues, o senador deve liderar novamente a construção da chapa do grupo governista para as próximas eleições.
Esse cenário coloca também o futuro do ministro da Casa Civil, Rui Costa, sob influência direta de Wagner. O desejo antigo de Rui de disputar o Senado ainda depende do aval do senador petista, que terá o papel de conduzir o processo de articulação com os aliados. A situação se complica diante da resistência do senador Otto Alencar (PSD), que já sinalizou desconforto com a possível substituição de Ângelo Coronel, seu aliado, por Rui. Nos bastidores, há quem veja a insatisfação de Otto como parte de um movimento previamente articulado com o próprio Wagner, que deverá tomar a decisão final sobre a composição da chapa majoritária. A definição pode, inclusive, envolver a intervenção direta do presidente Lula para acomodar os interesses internos sem provocar fissuras na base governista.
Na capital baiana, onde a influência de Wagner foi menor nesta eleição interna, a nova presidente do diretório municipal, Ana Vitória, assume com o compromisso de fortalecer o nome do deputado estadual Robinson Almeida como pré-candidato à Prefeitura de Salvador em 2028. A medida tenta resgatar a identidade petista após o fracasso da aliança com o MDB nas eleições de 2020, imposta à época por Wagner, que ainda gera reflexos negativos dentro da sigla. O PT de Salvador agora busca se reposicionar como oposição firme à gestão de Bruno Reis (União Brasil), em um movimento de reconstrução interna e fortalecimento das bases para os próximos ciclos eleitorais.

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