Exportadores brasileiros de manga anunciaram a suspensão das negociações com os Estados Unidos após o anúncio de uma tarifa de 50% sobre a fruta, prevista para entrar em vigor em agosto. A sobretaxa foi imposta pelo governo do ex-presidente Donald Trump e atinge diretamente o setor, que mantém com os americanos uma janela anual de embarques entre agosto e outubro. A interrupção nas negociações causa preocupação, principalmente no Nordeste, onde a fruticultura é uma das principais atividades econômicas. A manga é hoje a fruta in natura mais exportada pelo Brasil para os Estados Unidos, de acordo com dados da Associação Brasileira dos Produtores Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas). Em 2024, o mercado americano foi responsável por 14% do volume exportado dessa fruta pelo país. Produtores relatam um clima de insegurança, com temor de prejuízos financeiros e impactos no emprego. Como se trata de um produto perecível, a fruta precisa ser colhida no tempo certo, o que pressiona ainda mais o setor diante da indefinição sobre os destinos comerciais. Sem a opção de exportação para os EUA, parte da produção deve ser redirecionada ao mercado interno ou à Europa, o que tende a gerar uma queda significativa nos preços e afetar toda a cadeia produtiva. Segundo Luiz Roberto Barcelos, diretor institucional da Abrafrutas, o risco não se limita à perda de mercado nos Estados Unidos. A possível saturação do mercado interno e a concorrência com exportadores que atuam em outras regiões pode ampliar os efeitos da crise. A entidade confirma que recebeu relatos de paralisação nas operações de embarque. Paulo Dantas, diretor da Agrodan, empresa que atua com exportação de manga em Pernambuco e na Bahia, alerta para o risco de falências no setor. Apesar de a janela oficial de embarques ainda não ter sido aberta, o cenário atual já provoca o que ele descreve como um “clima de desespero”. A situação é monitorada com expectativa por produtores e entidades do setor, que aguardam uma solução diplomática entre os governos do Brasil e dos Estados Unidos. Em nota, a Abrafrutas defendeu a manutenção do comércio com os americanos e afirmou que segue apoiando iniciativas de diálogo para tentar reverter a medida. Segundo a associação, a relação comercial entre os dois países é benéfica para ambos os lados e essencial para o abastecimento de frutas no varejo dos EUA.
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