André Janones tem mandato suspenso após confronto com Nikolas Ferreira
POLíTICA 16/Jul/2025 - 09h00
Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados/Arquivo

André Janones tem mandato suspenso após confronto com Nikolas Ferreira

O Conselho de Ética da Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (15) a suspensão do mandato de André Janones (Avante-MG) por um período de três meses. A medida, de efeito imediato, foi tomada após uma confusão envolvendo o parlamentar e o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) na semana passada, durante sessão no plenário. Com a decisão, Janones perde temporariamente salário e verbas parlamentares, enquanto o colegiado abre também um processo de cassação que seguirá o rito normal da Casa. A suspensão foi aprovada por 15 votos a 3 e se baseou em um novo rito sumaríssimo adotado em 2024 com o objetivo de coibir cenas de tumulto e desrespeito no plenário. Esse mesmo instrumento já havia sido utilizado em maio para punir o deputado Gilvan da Federal (PL-ES), também suspenso por três meses após ofensas à ministra Gleisi Hoffmann (PT).  O episódio mais recente teve início quando Nikolas Ferreira discursava sobre a decisão do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor uma sobretaxa de 50% sobre produtos brasileiros. Durante sua fala, houve agitação no plenário envolvendo André Janones e aliados de Nikolas. O deputado do Avante trocou ofensas com colegas bolsonaristas e chegou a ser chamado de "vagabundo" e "rachadinha" — em alusão a uma denúncia anterior arquivada pelo mesmo Conselho. Vídeos exibidos durante a sessão mostraram Janones chamando Nikolas de "cadelinha", termo que o relator do caso, deputado Fausto Santos Jr. (União-AM), classificou como de conotação homofóbica. O parlamentar mineiro negou ter provocado a confusão e afirmou ter sido agredido fisicamente por deputados oposicionistas, inclusive com relatos de apalpação. As alegações geraram risadas e comentários pejorativos entre parlamentares bolsonaristas durante a sessão. Deputados do PT e do PSOL saíram em defesa de Janones, argumentando que episódios de empurra-empurra e enfrentamento físico entre parlamentares são recorrentes na Câmara e não costumam resultar em sanções. A deputada Maria do Rosário (PT-RS) relembrou a ocasião em que Nikolas Ferreira usou uma peruca loira para atacar pessoas trans em plenário e criticou o que classificou como um tratamento desigual. A punição a Janones reforça o uso do novo mecanismo de sanções rápidas aprovado neste ano, mas também reacende o debate sobre critérios políticos aplicados nas decisões do Conselho de Ética. O processo de cassação agora será iniciado, e o deputado poderá apresentar defesa no trâmite regular da Casa.

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