Aumento de renda leva quase 1 milhão de famílias a deixarem o Bolsa Família em julho
BRASIL 24/Jul/2025 - 09h50
Foto: Divulgação

Aumento de renda leva quase 1 milhão de famílias a deixarem o Bolsa Família em julho

O Bolsa Família registrou a saída de 921 mil famílias da folha de pagamento no mês de julho, segundo dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social (MDS). O principal motivo, de acordo com o governo, foi o aumento da renda domiciliar. Com isso, o número total de famílias atendidas caiu de 20,5 milhões em junho para 19,6 milhões em julho — o menor patamar desde a reformulação do programa, em março de 2023. Das famílias que deixaram de receber o benefício, 536 mil haviam ultrapassado o limite de 24 meses na regra de proteção, que garante metade do valor do Bolsa Família para domicílios que superam o critério de renda, mas ainda permanecem abaixo de meio salário mínimo per capita. Outras 385 mil famílias passaram a ter renda superior a esse limite e foram desligadas por completo do programa.
A secretária nacional de Renda de Cidadania, Eliane Aquino, afirmou que a redução ocorre por “motivos positivos”, como a formalização de empregos e o crescimento sustentado da renda. Ela reforçou a importância de combater o medo, ainda presente entre beneficiários, de perder o auxílio ao assinar a carteira de trabalho. Atualmente, cerca de 2,68 milhões de famílias ainda estão sob a regra de proteção e poderão ser desligadas do programa nos próximos meses caso mantenham os rendimentos formais.
Segundo o MDS, a saída de beneficiários ocorre em paralelo a um saldo positivo de empregos formais entre esse público. De janeiro a maio de 2025, 2,01 milhões dos 11,7 milhões de admitidos no Caged eram beneficiários do Bolsa Família, o que corresponde a 17,1% das novas contratações. Já os desligamentos somaram 1,4 milhão (13,1%), resultando em saldo positivo de 606 mil empregos formais entre esse grupo. O governo tem buscado firmar parcerias com empresas para incentivar a contratação de inscritos no CadÚnico. Técnicos do ministério afirmam que os dados indicam não só maior entrada, mas também maior permanência de beneficiários no mercado formal, em comparação a outros grupos.
Apesar do desempenho, a informalidade ainda é apontada como um desafio. Especialistas, como a professora Laura Müller Machado, do Insper, sugerem que o modelo atual pode incentivar a informalidade ao penalizar com a redução ou perda do benefício quem assume emprego formal. Em julho, as novas regras de proteção, mais restritivas, começaram a valer. O teto de renda per capita caiu para R$ 706 e o prazo de transição foi reduzido de 24 para 12 meses. Com isso, 36 mil famílias passaram a receber o benefício parcial pela primeira vez.
O espaço aberto no orçamento com o desligamento das famílias pode ser destinado à entrada de novos beneficiários em situação de pobreza, segundo o MDS. Ainda assim, a redução ajuda a aliviar a pressão sobre os gastos públicos. No início do ano, o governo já havia acertado com o Congresso um corte de R$ 7,7 bilhões na reserva do Bolsa Família para 2025.

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