Datafolha: governo Lula mantém reprovação em 40% após crise com Trump
BRASIL 02/Ago/2025 - 16h00
Foto: Ricardo Stuckert/Presidência da República/Arquivo

Datafolha: governo Lula mantém reprovação em 40% após crise com Trump

A expectativa de ganhos imediatos na imagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) após o embate com o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não se confirmou. Segundo levantamento do Datafolha divulgado nesta semana, a avaliação do governo segue estável: 40% dos entrevistados consideram a gestão ruim ou péssima, enquanto 29% avaliam como ótima ou boa. A pesquisa foi realizada nos dias 29 e 30 de julho, em meio à escalada da crise com Trump, que impôs tarifas de até 50% sobre produtos brasileiros, apesar de ter mantido algumas exceções. O republicano justificou as medidas como retaliação à suposta perseguição ao aliado ideológico Jair Bolsonaro (PL), condenado e inelegível até 2030.
Além da reprovação ao governo, a imagem pessoal de Lula também se manteve estável: 50% reprovam seu trabalho como presidente, enquanto 46% aprovam, oscilação dentro da margem de erro em relação à pesquisa anterior, de junho. Durante a crise diplomática, Trump tentou interferir diretamente na política interna brasileira, vinculando a possível suspensão das tarifas à interrupção do julgamento de Bolsonaro, investigado por tentativa de golpe após perder as eleições de 2022. Ele chegou a sancionar o ministro do STF Alexandre de Moraes, responsável pelo caso.
Em resposta, Lula adotou uma postura nacionalista, criticando o ex-presidente norte-americano e seus aliados no Brasil. A campanha de comunicação do Planalto intensificou o tom patriótico, com frases de efeito nas redes sociais e até bonés com slogans. Apesar disso, os ganhos de imagem esperados pelo entorno do presidente não se refletiram nos números. Dados do próprio Datafolha revelam que 45% dos entrevistados veem Bolsonaro como alvo de perseguição, o que ajuda a explicar a estabilidade nos índices de avaliação do governo, mesmo com a ampla exposição do caso.
Internamente, o governo avalia que estabilizar os indicadores já é positivo, especialmente após a forte queda em fevereiro, quando a aprovação havia caído para 24%. Desde então, os índices vêm oscilando, sem grandes avanços. A pesquisa ainda mostra que a avaliação positiva de Lula é maior entre os menos instruídos (42%) e nordestinos (38%), enquanto a reprovação prevalece entre evangélicos (55%), sulistas (51%), pessoas com ensino superior (49%) e as classes média baixa e alta, com até 62% de rejeição.
A situação fiscal e econômica do país também permanece no radar do eleitor. A recente crise envolvendo descontos no INSS perdeu força, e a economia segue com inflação controlada e alto nível de emprego, mesmo com juros em 15%. O Planalto aposta que os efeitos positivos do confronto com Trump podem surgir no médio prazo, especialmente se o discurso nacionalista continuar rendendo frutos políticos. Mas, por ora, o cenário permanece congelado.

Comentários

Nenhum comentário, seja o primeiro a enviar.

Deixe seu comentário

0/1000 caracteres
Seu comentário passará por moderação antes de ser publicado.

Usamos cookies para melhorar sua experiência. Ao continuar navegando, você concorda com nossa Política de Privacidade.