Uma auditoria realizada pelo Tribunal de Contas do Estado da Bahia (TCE-BA) apontou falhas significativas na execução do programa Bahia Sem Fome, lançado pelo governo estadual com o objetivo de combater a insegurança alimentar. O relatório técnico revela problemas de planejamento, execução e transparência, além de criticar a desconexão entre a comunicação institucional e a realidade enfrentada por milhares de baianos em situação de vulnerabilidade social. Segundo o TCE, um dos principais problemas está na má distribuição territorial das ações. Das 417 cidades baianas, 90 não foram contempladas com nenhuma medida concreta do programa. Em outras 289, houve apenas uma ou duas iniciativas. O levantamento também mostra que municípios com maior índice de vulnerabilidade social receberam, em média, menos de uma ação por cidade, enquanto localidades com melhores indicadores sociais tiveram cobertura superior.
O tribunal questiona a ausência de critérios técnicos na alocação dos recursos e critica o que classificou como priorização da visibilidade em detrimento da eficácia. Em alguns casos, o governo estadual chegou a divulgar ações como concluídas antes mesmo da sua efetiva realização. Um exemplo citado é a entrega antecipada de equipamentos de cozinhas comunitárias em Vitória da Conquista, o que, segundo os auditores, viola os princípios da publicidade e da veracidade na comunicação pública. Outro ponto destacado no relatório é a condição precária dos locais utilizados para armazenar equipamentos do programa. Os auditores relataram presença de pragas, infraestrutura inadequada, cheiro insalubre e ausência de medidas básicas de segurança, como prevenção contra incêndios, o que representa um risco à saúde pública.
A auditoria também evidenciou que apenas Salvador possui restaurantes populares, mesmo existindo outras 17 cidades com mais de 100 mil habitantes que se encaixariam nos critérios do programa federal para implantação dessas estruturas. Para o TCE, essa limitação estrutural impede o acesso à alimentação básica para grande parte da população no interior do estado. O relatório do Tribunal de Contas reforça que o combate à fome exige responsabilidade e comprometimento com resultados efetivos, e alerta que o Bahia Sem Fome precisa ser reestruturado com base em diagnósticos técnicos, planejamento qualificado e transparência na execução.
Nenhum comentário, seja o primeiro a enviar.
Usamos cookies para melhorar sua experiência. Ao continuar navegando, você concorda com nossa Política de Privacidade.

