Após sermos atingidos frontalmente com a greve dos caminhoneiros, fazendo-nos reféns de tudo, nos vemos, hoje, às voltas com o ciclo vicioso das festividades. E como se isso não bastasse, ainda tem a Copa do Mundo de Futebol, cujos olhares e expectativas já estão a todo vapor, para, logo mais, termos a ansiedade do Carnaval. É como se a referida greve não nos levasse a reflexionarmos acerca dos graves e sérios problemas por que passa o Brasil.
É preciso que se diga que, antes da festa propriamente dita, precisamos de saúde e educação de qualidade! Precisamos lutar por isto, ainda que tenhamos que boicotar tais festividades, como forma de fazermos os nossos protestos! E esse boicote perpassa, necessariamente, em simplesmente não irmos a tais eventos festivos! Precisamos mostrar a nossa indignação!
Ainda remanescem no país o ranço do “pão e do circo” — com ênfase maior no segundo — que obnubila as nossas mentes, fazendo-nos esquecer do mar de lama em que nos encontramos, num país colossal, riquíssimo em recursos naturais, mas extremamente pobre de gestão pública, com predomínio na malversação dos seus recursos e a expertise na corrupção, que concorre para que não tenhamos atendidas as nossas necessidades básicas de cidadãos e contribuintes, já que todos pagamos impostos.
Até quando, minha gente? Queremos mudanças no país, mas não mudamos! Continuamos com as mesmas práticas! De que valeu o movimento paredista dos nossos amigos caminhoneiros? O Brasil sentiu “na pele” a força e a pujança da categoria, já que os prejuízos foram exorbitantes, ultrapassando a casa dos R$ 75 bilhões, segundo estimativas açodadas de alguns analistas. Só nos resta dizer: “acorda Brasil”!
*Irlando Lino Magalhães Oliveira é Tenente-Coronel da Reserva Remunerada da Polícia Militar da Bahia, escritor, ensaísta e especialista em gestão da segurança pública e direitos humanos.
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