Acuado, Temer estuda como anular depoimentos de delatores da Odebrecht
05/Mar/2017 - 08h09
Foto: Reprodução

Acuado, Temer estuda como anular depoimentos de delatores da Odebrecht

A equipe de defesa do presidente Michel Temer (PMDB) estuda a possibilidade de pedir a impugnação de todos os depoimentos de delatores da empreiteira Odebrecht ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Para tanto, os defensores argumentam que, tanto a convocação de Marcelo Odebrecht, como a de outros empresários pelo ministro do TSE Herman Benjamin, relator do processo que pede a cassação da chapa Dilma Rousseff-Temer, baseou-se em um ato ilegal. Os advogados do peemedebista acreditam que o relator não poderia ter pedido o depoimento tendo como ponto de partida uma “prova ilícita”, que foi o vazamento da delação premiada do ex-diretor da Odebrecht Cláudio Melo Filho. A delação estava sob sigilo e veio a público em dezembro do ano passado. O executivo Marcelo Odebrecht confirmou em seu depoimento, na quarta-feira (1º), que o valor acertado para a campanha presidencial da chapa Dilma-Temer, em 2014, foi de R$ 150 milhões, sendo uma parte por meio de caixa 2. De acordo com ele, deste total, R$ 50 milhões eram uma contrapartida à votação da Medida Provisória do Refis, enviada ao Congresso em 2009. A MP beneficiou a Braskem, empresa controlada pela Odebrecht. O depoimento de Marcelo agravou a situação política do ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, que tirou uma licença informal do cargo dias antes de se submeter, na segunda-feira (27), a uma cirurgia para retirada da próstata. Ao confirmar o relato de Melo Filho, dizendo que Temer não mencionou valores ao tratar de doação para a campanha do PMDB, em 2014, o empreiteiro comprometeu Padilha, que já tem sua permanência no governo ameaçada. Outro depoimento que compromete a continuidade de Temer na presidência do país é o do ex-diretor da Odebrecht Ambiental Fernando Cunha Reis, que confirmou que foram pagos R$ 4 milhões ao PDT para garantir o apoio do partido à chapa presidencial reeleita em 2014, o que configura a compra de apoio político como uma forma de abuso de poder econômico. Essa ação tem potencial para levar à cassação do mandato de Temer. A suposta compra de apoio político para garantir a adesão do PDT à coligação resultou em mais tempo de duração da propaganda eleitoral, o que teria beneficiado a chapa reeleita.


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