Operação contra lavagem de dinheiro do PCC prende Deolane Bezerra em São Paulo
BRASIL 21/Mai/2026 - 08h36
Foto: Marcelo Brandt/g1

Operação contra lavagem de dinheiro do PCC prende Deolane Bezerra em São Paulo

Operação foi deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo e pela Polícia Civil.

Uma operação conjunta do Ministério Público de São Paulo e da Polícia Civil de São Paulo resultou, na manhã desta quinta-feira (21), na prisão da influenciadora digital e advogada Deolane Bezerra. A ação integra a Operação Vérnix, que investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital. Também foi expedido mandado de prisão preventiva contra Marcos Willians Herbas Camacho, apontado como principal líder da facção criminosa, que já se encontra preso. Outros familiares dele também foram alvos das medidas judiciais. Entre os presos estão Everton de Souza, conhecido como “Player”, apontado pelas investigações como operador financeiro da organização criminosa, além de Paloma Sanches Herbas Camacho, sobrinha de Marcola, localizada em Madri, na Espanha. Segundo os investigadores, o esquema de lavagem de dinheiro envolve uma transportadora de cargas sediada em Presidente Venceslau, considerada empresa de fachada utilizada pela cúpula da facção para movimentação de recursos ilícitos. De acordo com a investigação, a operação teve origem em 2019 após a apreensão de bilhetes e manuscritos dentro da Penitenciária II de Presidente Venceslau. A partir da análise do material, foram abertas sucessivas investigações que identificaram movimentações financeiras suspeitas, patrimônio incompatível e conexões entre integrantes da facção e operadores financeiros. As apurações indicam que Deolane Bezerra teria recebido valores oriundos da estrutura financeira do PCC. A investigação aponta depósitos fracionados em espécie, prática conhecida como “smurfing”, além de movimentações consideradas incompatíveis com a renda formal declarada. Segundo a Polícia Civil, entre 2018 e 2021 a influenciadora teria recebido mais de R$ 1 milhão em depósitos fracionados abaixo de R$ 10 mil. Além disso, quase 50 depósitos direcionados a empresas ligadas a ela somariam cerca de R$ 716 mil. A Justiça de São Paulo determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 27 milhões vinculados à influenciadora, valor apontado pelos investigadores como sem comprovação de origem lícita. No total, a operação também determinou o bloqueio de R$ 357,5 milhões em ativos financeiros e a restrição de 39 veículos avaliados em mais de R$ 8 milhões. Além das prisões, foram cumpridos mandados de busca e apreensão em imóveis ligados aos investigados, incluindo endereços em Barueri. Durante a operação, as autoridades apreenderam celulares, documentos e equipamentos eletrônicos que serão analisados no aprofundamento das investigações. As defesas dos investigados informaram que ainda estão tomando conhecimento do conteúdo das acusações e das medidas judiciais relacionadas à operação.

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